Sobredosagem: como reagir?
Toxicidade leve a moderada
- São efectuados simples cuidados sintomáticos, que grande maioria das overdoses é o necessário. Em casos de agitação e anomalias ligeiras do sinal vital, podem haver necessidade de hidratação e uso de benzodiazepinas.
Toxidade Grave
- Para manutenção dos sinais vitais, a reanimação com fluidos deve ser o tratamento de primeira linha para a hipotensão. A hipertermia deve combatida com benzodiazepinas, fluidos e medidas externas de arrefecimento, para casos leves, para temperaturas acima de 40 graus Celsius, é recomendada intubação e paralisia.
-Podem ser usados anti-hipertensivos para pressão arterial gravemente elevada associada a efeitos de órgãos vitais, tais como isquemia. No caso de um paciente hipertenso taquicárdico, deve evitar-se o uso de betabloqueadores isoladamente devido à possibilidade de efeitos alfa não-opostos piorarem a isquemia vasoespástica. Graças aos seus efeitos sobre a frequência cardíaca e pressão arterial, a nicardipina ou o labetalol são boas opções anti-hipertensoras. Devem tratar-se arritmias ventriculares com lidocaína ou amiodarona.
- A nível neurológico, pode ser necessário usar grandes doses de benzodiazepínicos para controlo da agitação profunda e das convulsões. Se as benzodiazepinas forem ineficazes, propofol ou fenobarbital podem ser usados para controlo sintomático. Quanto ao tratamento da hemorragia cerebrovascular deve prevenir-se pelo controlo da pressão arterial e manutenção das vias aéreas [1]. As convulsões requerem administração de diazepam [2].
- Quanto à manutenção da função renal, a reposição de líquidos é fundamental para manter a produção de urina. Para tratar a acidose deve utilizar-se um solução salina normal até à euvolemia (volume normal de sangue) ser atingida, e no caso de uma acidose grave persistente utiliza-se bicarbonato.
-Para conservação da função musculo-esquelética é implementada sedação para controlar a agitação e a reposição de fluidos para a manutenção da produção de urina, limitando deste modo a progressão da rabdomiólise.
Descontaminação
- Não é recomendado a descontaminação pré-hospitalar dada a possibilidade de convulsões em casos de toxicidade moderada a grave.
- A nível hospitalar deve ser administrado carvão ativado a pacientes com sobredosagem recente significativa, e nunca quando já têm um estado declinante, toxicidade grave ou aqueles que estejam em risco de convulsões sem primeiro proteger as vias aéreas.
Vias aéreas
- Em casos de já haver um estado mental alterado, edema pulmonar ou agitação profunda com hipertermia e acidose resultantes é necessário haver uma gestão ativa da via aérea.
Aumentar a eliminação
- Há poucos dados que apoiem a hemodiálise em caso de administração de simpaticomiméticos orais, e a manutenção sintomática é quase sempre suficiente.
NÃO EXISTE ANTIDOTO!
Disposição do paciente
Critério em casa: Em casa pode ser observadas insónias e agitação moderada em casos de exposição inadvertida. Nesse caso basta que deixe de haver exposição.
Critério de Observação: Se os pacientes têm taquicardia leve, hipertensão e agitação podem ser tratados com benzodiazepinas e observados até que os sintomas e sinais vitais se normalizem.
Critérios de admissão: Em casos de toxicidade moderada a grave, os doentes devem ser admitidos até que os sintomas tenham melhorado. Qualquer destes sintomas é um critério para admissão do paciente: convulsões, delírios, disritmias cardíacas, isquemia cardíaca ou cerebral, rabdomiólise ou sinais vitais persistentemente anormais.
Critérios de consulta: Deve consultar-se um toxicologista ou o centro de venenos em todos os pacientes com toxicidade grave ou pacientes que necessitam de internação hospitalar. [1]
Referências bibliográficas:
[1] https://toxnet.nlm.nih.gov/cgi-bin/sis/search2/f?./temp/~fmgvsA:3, acedido a 13/04/2017
[2] http://www.inchem.org/documents/pims/pharm/pim209.htm#SectionTitle:10.5%20Antidote%20treatment, acedido a 12/04/2017